NOTICIAS DE ACESSIBILIDADE


Acessibilidade em e-learning

 Norberto Sousa
Quatro ações que as instituições interessadas em promover a inclusão social podem adotar17/02/2014 02:04
Autor: Renato de Amorim Gomes
Tive a grata oportunidade de trabalhar em uma empresa onde dois colaboradores eram pessoas com deficiência visual. Aliás, é válido um parênteses aqui: observado da perspectiva da inclusão social e pela Convenção Internacional para Proteção e Promoção dos Direitos e Dignidade das Pessoas com Deficiência, o termo correto a ser utilizado é "pessoa com deficiência". A utilização das terminologias "deficientes", "excepcionais", "pessoas com necessidades especiais", "pessoas portadoras de deficiência", "pessoas portadoras de necessidades especiais" são inadequadas nos dias atuais.
Por trabalhar com e-learning, observava o esforço que estes colegas tinham para ter acesso às informações. Seja por braile ou pelos sintetizadores de voz no computador, me impressionava a postura ativa que estes colegas de trabalho possuíam para buscar as informações de seu interesse. Um deles, diga-se de passagem, atuava como DJ, o que me deixava ainda mais impressionado! Este convívio motivou-me a abordar no trabalho de conclusão de curso da pós-graduação o tema da aprendizagem virtual para pessoas com deficiência visual. Eu desejava entender se as organizações que implementavam programas de educação corporativa, sobretudo, por meio do e-learning, preocupavam-se com a questão da acessibilidade.
Na ocasião, contando com um site que disponibilizava pesquisas e enquetes pela internet, convidei as pessoas a refletirem sobre este tema. Dentre os vários quesitos propostos nesta pesquisa, me chamou a atenção o fato de mais de 80% das organizações pesquisadas não terem desenvolvido cursos online considerando a acessibilidade para pessoas com deficiência. Durante quatro anos consecutivos (2006 a 2009) esta pesquisa continuou sendo apresentada por este site. Neste intervalo de tempo, este gap diminuiu para 70%, demonstrando que algumas organizações tomaram providências quanto a inclusão social das pessoas com deficiência.
Da mesma forma que um arquiteto se preocupa com a questão da acessibilidade ao projetar edifícios ou residências, acredito que no âmbito da educação corporativa, esta preocupação deve permear todos os setores, desde o profissional que realiza o design educacional do curso, o web designer que produzirá as telas interativas até o profissional que implementará o curso no ambiente virtual de ensino-aprendizagem. Sobretudo, penso que os clientes que demandam o desenvolvimento de cursos online também precisam questionar se os seus fornecedores podem e estão aptos para atender esse nicho de desenvolvimento.
Dessa forma, gostaria de propor quatro ações que as instituições interessadas em promover a inclusão social, digital e capacitação profissional de pessoas com deficiência (visual, auditiva ou motora) podem adotar para incorporar nas suas estratégias de educação corporativa e e-learning:
Acreditar nas habilidades das pessoas com deficiência: mesmo com as diversas barreiras tecnológicas, muitas pessoas com deficiência dispõem de grande habilidade e disposição para realizar cursos online. Em uma entrevista realizada com um aluno de um curso a distância com deficiência visual, ele relatou que o ambiente de aprendizagem não havia sido preparado para ele, mas mesmo com os problemas deste ambiente, ele alcançava sucesso devido a sua experiência com leitores de tela e também do auxílio, em alguns momentos, das pessoas que enxergam.
Sensibilizar as pessoas da organização: demonstrar a importância de desenvolver cursos para pessoas com deficiência é um dos primeiros passos para seguir neste sentido. Certa vez, convidei um consultor em acessibilidade (ele é uma pessoa com deficiência visual) para expor aos profissionais da empresa (programador, web designer e designer educacional) suas impressões acerca da acessibilidade na educação a distância. O programador que participou desta reunião mostrou-se sensibilizado ao assistir o depoimento desse consultor, que comemorou ter concluído a sua graduação por uma instituição de ensino a distância.
Conhecer e incorporar tecnologias de acessibilidade na organização: existem softwares, tanto pagos quanto livres, que se dispõe a facilitar o acesso das pessoas com alguma deficiência. Um exemplo disso é o JAWS®, um software sintetizador de voz (também conhecido por "leitor de tela") que apoia a pessoa com deficiência visual no acesso ao sistema operacional, ferramentas de produtividade e internet. Importante ressaltar que o sistema operacional Windows e também o Mac OS possuem recursos de acessibilidade nativos (basta buscar em preferências ou configurações pelo termo "acessibilidade"). O mesmo se aplica a recursos mobile, como tablets e smartphones Android ou iOS: habilitando os recursos nativos de acessibilidade, as pessoas com deficiência podem acessar e gerar informações.
Desenvolver conteúdo com base nas referências de acessibilidade do WCAG 2.0: designers educacionais, webdesigners e programadores precisam ter noções e técnicas para aplicar as diretrizes de acessibilidade para web do Web Content Accessibility Guidelines. O WCAG.2 pode ser utilizado pelas organizações como uma "lista de verificação" de acessibilidade para web. Estas diretrizes destacam, por exemplo, que qualquer conteúdo não textual (como imagem e vídeo) deve oferecer uma alternativa em texto para que ela possa ser acessível, além de diretrizes de adaptabilidade do conteúdo, navegação e legibilidade.
Com essas ações, as instituições corporativas podem contribuir com a profissionalização, dignidade e inclusão social das pessoas com deficiência. Que tal fazer a sua parte?
Renato de Amorim Gomes é mestre em tecnologias da inteligência e design digital pela PUC-SP. É especialista em design educacional na Sou Educação Corporativa.

Off-topic - Os museus em face do presente e do futuro


Em Novembro de 2013 foi dado a conhecer um Eurobarómetro referente aos hábitos culturais dos europeus especialmente devastador para o caso português. Quando se pergunta pela frequência de diferentes recursos culturais no último ano, verifica-se que a nossa melhor posição relativa (lugar 22 em 27) é a na assistência a programas culturais de TV e rádio; inversamente, no livro, no teatro e na dança/ópera, situamo-nos em último lugar; nos restantes domínios, estamos em penúltimo (cinema, monumentos e museus) ou antepenúltimo (bibliotecas).
Curiosamente, quando se pergunta pelas causas do alheamento, apresentamos algumas particularidades. Livro, cinema e monumentos constituem um bloco em que as razões de não frequência são sobretudo as da falta de tempo e não tanto as da falta de interesse. O inverso em tudo o resto e especialmente nos museus, bibliotecas, concertos e TV/rádio. Raramente a falta de qualidade surge como motivação de afastamento. Finalmente, o custo dos ingressos é apresentado como forte impedimento de frequência (excepto TV/rádio), atingindo os maiores índices nos casos do livro, cinema, concertos e museus.
Estes dados fornecem uma visão estática. Importaria completá-la com observação dinâmica. Tomemos, pois, a última década em Portugal e confrontemos apenas os museus, os espectáculos musicais em sentido amplo, o cinema e as tiragens de publicações periódicas. Verifica-se uma tendência regressiva destas últimas e do cinema, o grande desenvolvimento dos espectáculos (a chamada “cultura dos eventos”) e uma certa estabilização dos museus. Se a série temporal fosse maior, os dados seriam outros, porventura mais surpreendentes, porque iriam em benefício dos museus e das bibliotecas, que conheceram amplo desenvolvimento no último quartel do século passado.
Como é óbvio, os péssimos indicadores de prática cultural em Portugal não decorrem de particulares idiossincrasias nacionais. Resultam antes de tudo do nosso subdesenvolvimento social em sentido amplo e neste particular da persistência da nossa iliteracia. Hoje, a média europeia de cidadãos com o ensino secundário ou superior aproxima-se dos 100%; em Portugal pouco passa os 50%. Diferença semelhante (23% para 14%) ocorre quanto aos graduados do ensino superior. E sempre foi assim, aliás, em pior escala: o analfabetismo atingia cerca de ¾ da população portuguesa à data da República e cerca de metade em meados do século XX. Na Finlândia, pelo contrário, já mais de metade dos habitantes adultos sabiam ler no início do século XX, para 90% em meados do século.
Os níveis de educação escolar são ainda mais relevantes no que respeita à visita a museus (porventura também à dança/ópera e muito menos ao cinema, livro, TV/rádio e monumentos). Com efeito, entre 40% a 60% dos visitantes de museus em todo o mundo possuem graduação superior, como consta do dossier especial que a The Economist de Dezembro passado entendeu dedicar aos museus, com números que impressionam. Nos EUA, por exemplo, os visitantes de museus mais do que duplicaram em duas décadas e foram cerca de 850 milhões em 2012, ou seja, mais do que todos os desportos e parques temáticos juntos. Na próxima década espera-se um investimento mundial em grandes museus de cerca de 200 mil milhões de euros, especialmente na China (onde só em 2012 se construíram cerca de 500 novos museus) e na zona do Golfo Pérsico. Neste ambiente eufórico, o capitalismo financeiro percebeu que os museus podem constituir investimentos muito compensadores, seja em termos de acervos que a prazo se valorizam muitos mais do que valores bolsistas, seja em termos de ganhos imediatos na construção de cidade e de movimento económico. Por isso, as velhas fontes de receita limitadoras do acesso, e na realidade sempre pequenas, estão a ser trocadas por outras muito mais rentáveis. Assim, ao mesmo tempo que se generaliza a gratuitidade do acesso (que há muito deixou de constituir postura ideológica de esquerda para ser compensadora opção comercial sem ideologia), promove-se o arrendamento de espaços (altamente gerador de receita), o aluguer, troca ou até venda de colecções (consideradas como activos contabilizáveis, como sucedeu recentemente em Detroit, perante a falência da cidade), a permuta para realização de exposições de tipo blockbuster (estas bem pagas, naturalmente) ou a assessoria, verdadeira mina, onde o fluxo de petrodólares conquistou a maior parte dos Estados democráticos (perante grande controvérsia em França e postura bem mais pragmática no Reino Unido, onde apenas um dos contratos estabelecidos com o Abu Dhabi garante ao Museu Britânico 10% do seu orçamento anual).
As tendências indicadas têm sido objecto de grande atenção por parte de diversas organizações internacionais. Uma delas, a American Alliance of Museums, tem publicado nos últimos anos um “observatório de tendências” e chega a disponibilizar boletim semanal sobre o assunto, onde se não evita a crueza das “soluções finais”: esquecer a visita presencial e promover a venda de produtos à distância (inclusive serviços de impressão 3D de colecções); abandonar os públicos escolares, que não geram receita, em favor da “terceira idade”, com crescente esperança de vida e capacidade económica, pelo menos lá onde os sistemas de seguros e de reformas a garantam; esquecer os museus didácticos e apostar nos museus de arte contemporânea. Também na Europa se reflecte sobre tendências para o futuro dos museus, partilhando algumas das soluções americanas, porém, dentro de um sentido maior de serviço comunitário. O relatório Novas tendências em museus do século XXI, do Projecto Lem-Learning Museum é disso um exemplo. Os “dias de ouro” do investimento público terão talvez passado. A hora está em procurar novas fontes de financiamento, através de prestação mais alargada de serviços, fazendo dos museus verdadeiros centros culturais de actividades diversas. Mais radicalmente, começa mesmo a admitir-se a fusão dos museus, entre si e com outras instituições culturais, dando origem a novos conceitos institucionais.
Claro que, em ambos os lados do Atlântico, se sente pouco de verdadeiramente estratégico nas propostas apresentadas. Pelo contrário, parece estarmos imersos em conjuntura financeiramente esquálida, tecnologicamente ofuscante e societariamente deslaçada. Quantas vezes não ouvimos já no passado declarar a caducidade dos museus, que reemergem sempre, porque o original possui a sua própria aura e a memória constitui o último reduto da natureza humana? Seja como for, é forçoso admitir que temos perante nós o dever irrecusável de repensar os museus – dever que só constitui verdadeiramente desafio digno desse nome, se for travado dentro de um quadro que preserve a sua natureza básica, tal como estabelecida pelo ICOM, ou seja, instituição sem fins lucrativos, posta ao serviço do desenvolvimento social e dotada de acervos que lhes confiram coesão e autonomia de projecto.
Chegados aqui, voltamos, porém, ao princípio, ou seja, à situação em que nos encontramos nesta “ocidental praia lusitana”, onde não definhamos apenas por falta de dinheiro, mas também (ou sobretudo) por carência de política e de cidadania. Onde a moléstia atingiu tal dimensão que, nesta “triste e leda madrugada”, políticos, gestores e agentes culturais todos nos refugiamos em lugares de recuo e sobrevivemos apenas na nossa vidinha diária, tentando encontrar nela nichos de pequena felicidade. Onde, mais do que lutar, parece que desistimos também de pensar.
Presidente do ICOM Portugal; membro da direcção do ICOM Europa

APRESENTAÇÃO PÚBLICA DO PROJETO PLIP


APRESENTAÇÃO PÚBLICA DO PROJETO PLIP - SÁBADO, DIA 18 DE JANEIRO, PELAS 15H, NO MERCADO SANT’ANA, EM LEIRIA. Entrada livre.
O Projeto de Leitura Inclusiva Partilhada (PLIP) nasceu do projeto pessoal de alguns investigadores da Unidade de Investigação Inclusão e Acessibilidade em Ação do Instituto Politécnico de Leiria, com o apoio da Biblioteca Municipal da Batalha, ganhou corpo com o Projeto IPL(+)INCLUSIVO e desenvolve-se com o apoio do Instituto Nacional para a Reabilitação.
O PLIP visa dar vida a livros que se encontram nas estantes das bibliotecas, oferecendo-os a novos leitores. Tal dá-se através da adaptação de obras originais ou já publicadas para que públicos com necessidades específicas possam chegar a elas através de versões em novos formatos: Livros em Braille e em alto-relevo (para pessoas cegas ou com baixa visão); audiolivros (para quem prefere ouvir); vídeo-livros em Língua Gestual Portuguesa (para os Surdos) e em formatos adaptados – pictogramas e versões simplificadas (para pessoas com incapacidade intelectual ou limitações de outra natureza).
Os KITS PLIP apresentam-se em ficheiros em formato eletrónico que são disponibilizados gratuitamente para serem materializados através da impressão (normal ou em equipamentos específicos – ex. impressora braille ou de relevo) ou utilizados diretamente nos computadores (através de leitores de ecrã).
Para além de DESENVOLVER KITS MULTIFORMATO para leitores com necessidades específicas, o PLIP pretende promover e DINAMIZAR AÇÕES DE LEITURA que levem os livros a TODOS, incluindo pessoas com incapacidade ou necessidades especiais; estimular a partilha de experiências; desenvolver uma cidadania participada e dinamizar os espaços públicos dos distritos, cidades, vilas e municípios, enquanto enriquece o acervo das bibliotecas/instituições promotoras. É ainda objetivo deste Projeto PARTILHAR BOAS PRÁTICAS e DICAS na área da leitura acessível.
É um projeto desenvolvido em comunidade, criando laços entre gerações, lugares, e diferentes áreas do saber e do viver. Assume-se como um agregador de boas práticas, levando mais longe e dando visibilidade ao bom trabalho que se vem desenvolvendo, um pouco por todo o lado, de forma isolada. É uma oportunidade para os mais novos deleitarem os mais velhos; para os mais experientes transmitirem saberes únicos e deixarem marcas no meio onde vivem; para os artistas se exprimirem; para todos nos alimentarmos da nossa cultura.
Acreditamos que a LER + vamos + LONGE.
Promotores:
Instituto Politécnico de Leiria – através da Unidade de Investigação Acessibilidade e Inclusão em Ação (iACT); do Centro de Recursos para a Inclusão Digital (CRID); e do Mestrado em Comunicação Acessível (MCA) em parceria com Câmaras Municipais / Bibliotecas / Escolas / Associações / Outros organismos e pessoas individuais.

Dar cor ao mundo dos cegos



Um trabalho desenvolvido na Universidade da Beira Interior, no âmbito de um mestrado em Design de Moda, ramo vestuário, levou à criação de uma etiqueta para vestuário, com a designação das sete cores do arco-íris, escritas com alfabeto Braille. Desta forma, os invisuais podem, a partir de agora, saber as cores que estão a utilizar nas suas roupas.
A naturalidade com que vemos o mundo pintado pelas 350 mil cores que o olho humano consegue distinguir faz com que, na maior parte dos casos, afastemos para o esquecimento a incapacidade de outras pessoas, como por exemplo, os invisuais. Foi precisamente a pensar nestas pessoas, que “têm os mesmos direitos que todas as outras”, que Madalena Sena desenvolveu o seu trabalho de mestrado.
O trabalho consistiu em criar uma solução capaz de preencher esta lacuna “por demais evidente na área do vestuário e de muitos outros objectos” começa por explicar. Madalena Sena criou “uma etiqueta escrita com alfabeto Braille, que permite a qualquer pessoa invisual, deslocar-se a uma loja de roupa e escolher a cor da roupa que lhe interessa, através desta informação”.
Até hoje, não existe este tipo de designação disponível no vestuário, “e nem sei porquê, acho que é uma coisa tão simples, que não encontro explicação plausível para este facto”, diz Madalena Sena. Por isso desenvolveu uma etiqueta que é produzida “através um conjunto de tarjas metálicas termocoláveis em tiras de algodão, para que possam resistir à lavagem, tal como a peça de roupa”. Esta etiqueta tem o nome da cor da peça de roupa em causa escrito em Braille e faz parte integrante dessa mesma peça, tal como as habituais etiquetas de aviso.
Por agora estão disponíveis as sete cores do arco-íris “por serem aquelas que as pessoas mais conhecem, mas todas as outras podem ser também colocadas”. A aplicação destas novas peças está facilitada “e vai permitir às entidades produtoras, lojas e cadeias de distribuição, colocá-las de forma a que os invisuais possam tirar partido desta informação”, acrescenta Madalena Sena. Esta etiqueta fica com a peça de roupa, e por isso mesmo as pessoas sempre que querem vestir essa roupa sabem qual a sua cor.
Madalena Sena, que se confessa apaixonada pela cor “desde sempre”, começou por notar que “nenhum tipo de vestuário apresentava qualquer informação sobre a sua cores destinada a invisuais”. Quando lhe foi lançado o desafio de realizar um trabalho final para a sua tese de mestrado em Design de Moda, Madalena optou por operar nesta área.
Uma actividade que começou “por saber se as pessoas invisuais tinham ou não alguma preocupação com as cores que vestiam”. Essa questão foi respondida num inquérito feito “a um universo de 25 invisuais”, através de entrevistas directas, n Internet, na página, “Ler para Ver” e ainda através da ajuda da delegação de Castelo Branco, da Associação de Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO), “a única, a nível nacional, a responder”, sublinha.
Os resultados “foram surpreendentes” e apontaram para a preocupação que estas pessoas têm com as cores das suas roupas. A título de exemplo, Madalena Sena confessa que nalgumas respostas de pessoas invisuais encontrou “expressões que provavelmente nenhum de nós pensaria que um cego utilizaria, como ‘estar verde de inveja’ ou ‘amarelo de raiva’”. A autora do trabalho acabou por compreender que “a cor é importante para os invisuais, no seu dia-a-dia e no vestuário”. Um facto que se verificava “até mesmo com invisuais que já nasceram com esta deficiência e que, por isso, nunca viram, mas que mesmo assim demonstram preocupação com a cores que vestem”.
“Espero que este tipo de trabalho venha a melhorar a vida das pessoas”, confessa a autora da ideia, que teve a ajuda de alguns invisuais. Um apoio “sobretudo ao nível de teste das etiquetas, da opinião sobre o material que estava a utilizar para as fazer e da forma como estas ficavam colocadas”, refere.
Por: Eduardo Alves

Aplicativo Arianna ajuda deficientes visuais a andar em ambientes fechados




 por Lerparaver
A vida de um deficiente visual não é fácil e num mundo cheio de telas pode parecer que tudo fica pior, mas na verdade existem centenas de aplicativos para smartphones que ajudam o acesso de deficientes visuais a todos os tipos de informações muito mais facilmente do que seria possível sem a tecnologia. Entre esses aplicativos e recursos podemos citar os livros em áudio, apps que reconhecem cores e utilizam a voz de uma assistente virtual, entre vários outros recursos de usabilidade que estão presentes em smartphones e tablets. Existem até mesmo aplicativos que dão instruções de direção, igual ao GPS, mas para os deficientes visuais nem todos cumprem a proposta tão bem como eles precisam. E além disso, sistemas de GPS não funcionam em ambientes fechados como casas e lojas. Porém um solução criada por Pierluigi Gallo e pela Universidade de Palermo na Itália oferece ajuda na navegação em qualquer tipo de ambiente fechado e que não tem nenhum tipo de distração de áudio ou a necessidade de GPS. A ideia é surpreendentemente simples e se baseou na história da mitologia grega entre Ariadne e Teseu. No mito, Teseu se oferece para matar Minotauro, que vive em um labirinto na ilha de Creta. Para ajudá-lo, Ariadne lhe dá uma espada e um novelo de linha para que ele solte o fio pelo caminho e depois de matar o monstro, consiga retornar do labirinto.  A ideia do pessoal da Universidade de Palermo se aproxima da história e o aplicativo é chamado de Arianna, o nome Italiano para Ariadne e que também é uma abreviação para pAth Recognition for Indoor Assisted NavigatioN with Augmented perception. A ideia deles é fazer o mapeamento de uma rota por uma casa ou prédio utilizando fita adesiva colorida no chão. Em um ambiente mapeado, o usuário aponta a câmera do celular para o chão e põe o dedo sobre a tela, o usuário precisa fazer um movimento com a câmera e então ele escaneia o caminho. Enquanto isso o aplicativo analisa os quadros produzidos pela câmera e detecta a linha conforme ela se move na tela. QR Codes colocados no chão podem dar ao usuário outras informações, como a localização de lugares como banheiros, bebedouros de água, lojas e assim por diante. Eles já testaram o projeto em dezembro e disseram que funciona muito bem, porém já planejam algumas novidades para o futuro. Uma das ideias é usar linhas de infravermelho, que não são visíveis, mas que podem ser detectadas pelas câmeras dos smartphones. E esta sensibilidade ao infravermelho é atualmente um recurso sub-utilizados na maioria dos smartphones, como eles próprios apontam.  Eles não disseram quando a ideia estará disponível nas lojas de aplicativos, nem quanto irá custar. A adoção desse tipo de recurso pode ser muito barata devido a larga adoção de smartphones e aparelhos disponíveis em várias faixas de preço. Além do aplicativo é necessário colocar as linhas em lojas e ambientes de uso comum, mas certamente não será algo caro.
Fonte: http://mobilexpert.com.br/apps/utilidades/materias/7144/aplicativo-arian...

Aplicação de smartphone ajuda a curar doenças dos olhos





Aplicação de smartphone ajuda a curar doenças dos olhos
Tecnologia consegue detetar doenças como glaucoma, cataratas e miopia
Uma equipa de médicos da Escola de Saúde e Medicina Tropical de Londres criou uma aplicação que pode ser a solução para muitos problemas relacionados com os olhos.
Andrew Bastawrous, o autor da investigação, disse à AFP que o Quénia foi a localidade escolhida para os testes, uma vez que, «para um país com uma população de mais de 40 milhões, há apenas 86 médicos qualificados para tratar doenças dos olhos, 43 dos quais a operar na capital Nairobi».
O estudo tem vindo a ser desenvolvido nos últimos cinco anos e o equipamento que surge deste projeto é um smartphone com uma lente que consegue ler a retina e enviar informações sobre os olhos para os especialistas.
A solução é de grande importância para países e famílias pobres, onde as deslocações para médicos especialistas é difícil de comportar, como é o caso do Quénia. Sabendo que cerca de 80% dos casos de cegueira é curável, é também grande o impacto desta aplicação.
Bastawrous espera que o estudo, que contou com cerca de cinco mil pacientes no Quénia, um dia possa revolucionar o acesso aos tratamentos oculares para milhões de pobres que sofrem com doenças dos olhos e cegueira.
O autor do projeto acredita que o seu instrumento já provou o seu valor, conseguindo promover uma análise semelhante a uma consulta presencial, tendo detetado doenças como glaucoma, cataratas e miopia.
A queniana Mary Wambui, de 50 anos, tem problemas de visão desde os 36 e diz que o projeto de Bastawrous, que fez os testes em sua casa, é uma mais-valia. «Eu não gosto do ambiente dos hospitais. O processo é longo, burocrático e caro mas com este telefone posso saber o meu diagnóstico apenas com um clique», disse a mulher.
TVI24.iol.pt/

A Situação Mundial da Infância 2013 - Crianças com Deficiência







A Situação Mundial da Infância 2013
Crianças com Deficiência
As crianças com deficiência e as suas comunidades beneficiariam ambas se a sociedade colocasse o ênfase no que as crianças podem realizar em lugar do que não conseguem fazer, afirma o relatório anual da UNICEF A Situação Mundial da Infância 2013.
Valorizar as aptidões e o potencial das crianças com deficiência seria benéfico para toda a sociedade, segundo aquele relatório divulgado hoje. “Quando consideramos a deficiência antes de considerar a criança, não é apenas prejudicial para a criança em questão como priva a sociedade de tudo o que essa criança tem para oferecer» afirmou o Director Executivo da UNICEF, Anthony Lake. “Quando as crianças perdem, a sociedade perde; quando ganham, a sociedade ganha também.”
Por exemplo, a educação inclusiva alarga os horizontes de qualquer criança, permitindo que as crianças com deficiência realizem as suas ambições.
Intensificar o apoio à integração de crianças com deficiência contribuiria para vencer a discriminação que as relega para as margens da sociedade.
Para muitas crianças com deficiência, a exclusão social começa logo nos primeiros dias de vida, se o seu nascimento não é registado. Sem um reconhecimento/documento oficial, estas crianças ficam privadas dos serviços sociais e da protecção jurídica que são cruciais para a sua sobrevivência e para o seu futuro. A sua marginalização só pode aumentar com a discriminação.
“Para que as crianças com deficiência contem, é preciso que sejam tidas em conta – à nascença, na escola e na vida em geral”, acrescentou Anthony Lake. A Situação Mundial da Infância 2013: Crianças com Deficiência, diz que estas crianças são as que têm menos probabilidades de receber cuidados de saúde ou de frequentar a escola. Estão também entre as mais vulneráveis à violência, abusos, exploração e negligência, sobretudo se estão longe dos olhares da sociedade ou colocadas em instituições, o que acontece com frequência devido ao estigma social ou aos custos que cuidar delas acarreta.
Em consequência de todos estes factores as crianças com deficiência fazem parte do grupo de pessoas mais marginalizadas do mundo. As crianças que vivem na pobreza são frequentemente as mais privadas da educação ou da saúde, mas as que são simultaneamente pobres e deficientes têm ainda menos probabilidades de beneficiar desses serviços. O género é também um factor determinante, pois se a criança com deficiência é rapariga têm menos probabilidade de receber alimentação e cuidados do que os rapazes. « A discriminação com base na deficiência é uma forma de opressão”, diz o relatório, sublinhando que para muitas crianças deficientes a exclusão é agravada por múltiplas privações. Há poucos dados fiáveis sobre o número de crianças com deficiência, o tipo de deficiência e o modo como estas afectam as suas vidas. Como consequência, poucos são os governos que dispõem de uma orientação fiável para a alocação de recursos destinados a apoiar as crianças com deficiência e as suas famílias.
Cerca de um terço dos países do mundo não ratificou, até a momento, a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. O relatório apela aos governos para que cumpram as suas promessas de garantir a igualdade de direitos a todos os seus cidadãos - incluindo as crianças mais marginalizadas e vulneráveis.
Alguns progressos têm sido alcançados, ainda que de forma desigual, em matéria de inclusão das crianças com deficiência e A Situação Mundial da Infância 2013 define uma agenda para acção futura.
O relatório pede insistentemente aos governos que ratifiquem e apliquem a Convenção sobre os Direitos de Pessoas com Deficiência e a Convenção sobre os Direitos da Criança, e que apoiem as famílias para que estas possam suportar os custos muitas vezes elevados que cuidar das crianças com deficiência implicam.
(O relatório) pede que sejam tomadas medidas para combater a discriminação que existe ainda na sociedade em geral, entre os decisores e prestadores de serviços essenciais como o ensino e os cuidados de saúde.
As organizações internacionais devem assegurar que o aconselhamento e a assistência que prestam aos países em desenvolvimento são consistentes com a Convenção sobre os Direitos da Criança e a Convenção sobre os Direitos de Pessoas com Deficiência. E devem promover um programa global concertado de investigação sobre a deficiência, a fim de obter os dados e análises que permitirão orientar a planificação e alocação de recursos.
O relatório sublinha ainda a importância do envolvimento de crianças e adolescentes com deficiência, de modo a que possam dar a sua opinião sobre a elaboração e avaliação dos programas e serviços que lhes são destinados.
E é do interesse geral assegurar a acessibilidade e a concepção universal dos espaços e meios de vida, para que possam ser utilizados por todos na medida do possível, sem que sejam necessárias adaptações.
« O Caminho que temos pela frente está cheio de desafios», declarou A. Lake em Da Nang (Vietname) durante o lançamento do relatório. “Mas as crianças não aceitam limites desnecessários. E nós também não devíamos aceitá-los”.
UNICEF







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“Isto de ser invisual é só um pequeno pormenor”


Marta Vitorino é cega de nascença mas essa circunstância não lhe tolhe os movimentos nem lhe quebra o ânimo. A estudante residente em Alcobertas canta,
escreve, pratica desporto e é uma estudante de eleição. A história de uma jovem de bem com a vida que rejeita tratamentos especiais e vê muito para além
do que os seus olhos permitem.
Edição de 2013-06-27
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Esperança de cura na principal causa de cegueira em maiores de 55 anos


Uma comissão governamental japonesa aprovou hoje a realização dos primeiros ensaios clínicos mundiais de medicina regenerativa em humanos, através de células-tronco pluripotentes induzidas (iPS, na sigla em inglês).
Os ensaios clínicos iniciar-se-ão no próximo ano, devendo o ministro japonês da Saúde respeitar o parecer da comissão e validar o projecto apresentado pela Fundação para a Investigação Biomédica e a Inovação (Ibri), um centro hospitalar em Kobe (oeste do Japão).
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Apps Android para diabéticos


Os nossos smartphones apresentam agora uma grande abrangência, sendo úteis em cada vez mais aspetos da nossa vida. Se é diabético, já pensou em usar o seu smartphone para melhor controlar a diabetes?
Quem tem diabetes precisa de cuidados especiais e já se habituou a olhar permanentemente para vários parâmetros essenciais ao seu bem-estar. Cuidados com a alimentação, medicação e a prevenção de eventuais complicações provocadas pela sua condição médica, fazem parte da vida de qualquer pessoa que tenha diabetes.
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Cientistas apresentam forma de cura da cegueira parcial


A luta pela cura da cegueira parcial, aquela resultante de degeneração da mácula – o centro do campo visual – causadas por problemas na retina, pode estar perto do fim. Cientistas das universidades Stanford, nos Estados Unidos, e Strathclyde, Escócia, desenvolveram uma prótese capaz de captar informações visuais e, através de um sistema elétrico, enviá-las ao cérebro. A novidade foi publicada nesta terça-feira (18) na revista Nature Communications e no portal da revista Science News.
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Cientistas usam vírus modificado para curar cegueira


Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade da Califórnia em Berkeley (EUA) pode tornar mais seguro o uso de vírus para tratar doenças genéticas que levam à cegueira – o vírus atua como “mensageiro”, levando genes modificados até células específicas e fazendo com que eles substituam os defeituosos.
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Acadêmico da URI Santo Ângelo desenvolve impressora em braile


O projeto faz parte do trabalho de conclusão de curso em Ciência da Computação
Criar um projeto de um sistema embarcado (SE) de baixo custo, que é capaz de transformar textos digitais em caracteres braile e fazer as respectivas marcações em papel, permitindo a disponibilização de informações em locais públicos para deficientes visuais. Este foi o objetivo do trabalho de conclusão de curso do egresso do curso de Ciência da Computação da URI – campus de Santo Ângelo, Giovani Bresolin Zancon.






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“Isto de ser invisual é só um pequeno pormenor”


Marta Vitorino é cega de nascença mas essa circunstância não lhe tolhe os movimentos nem lhe quebra o ânimo. A estudante residente em Alcobertas canta,
escreve, pratica desporto e é uma estudante de eleição. A história de uma jovem de bem com a vida que rejeita tratamentos especiais e vê muito para além
do que os seus olhos permitem.
Edição de 2013-06-27

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